


Barrela é o primeiro texto do conceituado dramaturgo brasileiro Plínio Marcos. A montagem da Cia de Teatro Gente leva o público a entrar e sair como numa visita a um presídio.
Meia hora antes do espetáculo, atores com coletes de oficiais carcerários, circulam pelo foyer do teatro. Roupas esfarrapadas em varais pelos cantos, além de faixas com mensagens de protesto, completam a atmosfera de cadeia proposta ao público.
Todo o espetáculo, que dura uma hora, tem como cenário uma cela, na qual seis presos (Portuga, Bahia, Tirica, Fumaça, Louco e Bereco) dividem um pequeno espaço e vivem inúmeros conflitos. A situação se agrava com a chegada de um novo preso, um tipo burguês, batizado pelos outros de “Garoto” ou “Carne Nova”, que acaba sendo violentado pelos colegas.
Barrela foi escrita em 1958, mas, segundo Nathan Marreiro, continua atual por falar da brutalidade e da capacidade de sobrevivência humana diante da violência:
"O espetáculo BARRELA tem a força de um cataclismo desde a chegada do público até sua saída, a questão continua sendo nomear e dirigir sombras, uma concepção que não se fixa na linguagem e nas formas, mas que destrói as falsas sombras e prepara o caminho para outro nascimento de sombras promovendo o verdadeiro espetáculo da vida. Seja pela interpretação, espaço vazio, luz, uso de multimídia, instalações e interação com a platéia, rejeita as limitações habituais do homem e os poderes do homem, tornando infinitas as fronteiras do que chamamos realidade. BARRELA faz parte de um teatro que não está em nada, mas que se serve de todas as linguagens – gritos, sons, palavras, cinema, efeitos em uma experimentação que se encontra exatamente no ponto em que o espírito precisa de uma linguagem renovada para produzir suas manifestações. BARRELA é um experimento do fazer teatral, que aproxima a platéia pela força do jogo entre platéia, ator e personagem onde as misturas complexas revelam as potencialidades humanas, em um buraco negro de subjetivações, uma noite em um cárcere! Ficção (texto) X realidade (platéia)/ Teatro/ Experimentação se transcodificam em uma espécie de centro frágil e turbulento que as formas não alcançam."





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